Distante demais

Distante diz tanto, diz muito, diz demais.

Quarta-feira, Novembro 2

Acordei com o tempo


O tempo. Acordei tão cedo hoje, mas ele insistiu em puxar os meus cabelos. Levantou-me da cama sem um pingo de delicadeza e disse: pense. Mas, tempo, pensar em que? Acabei que acordar, a única coisa que quero é desgrudá-lo dos meus cabelos para poder começar a pensar no dia. Ou, seria, passar o dia? Entrei em conflito. E as horas passaram e os cabelos secaram e o mundo mudou de cor. Entrelaçadas, madeixas me deixam confusa. A cor de jambo maduro insiste em pertubar meus sonhos. O que mais quero é passar desapercebida. Mentira. Tenho desejos cada vez mais nítidos. A minha nitidez me apavora. Antes, era a falta dela que me retirava o ar. Agora, é uma clareza que não sei se turva ou amadurecimento de desejos. Perguntas... O tempo parou de forçar o meu levantar. Volto a dormir. Ouço o tic-tac do meu relógio digital. Durmo. Penso. Passo.